Macabeia
- púrpura

- 17 de mai.
- 2 min de leitura
Primeiro, vamos apresentar a série.
Redimindo personagens é uma série aqui no blog com o objetivo de apresentar personagens que me tocam em leituras ou personagens que eu interpreto como atriz e redimir a história deles numa perspectiva cristocêntrica. Seja apresentando Cristo a eles ou trazendo um outro ponto de vista através da dor dele.

Não cheguei a interpretar Macabeia, mas esse texto veio em função dela não sair da minha cabeça.
Estava assistindo, pela não sei qual vez, A Hora da Estrela, e creio que só agora aos 29 entendi o que minha professora de português queria aos 14.
Terminei o filme com um nó na garganta de um choro reprimido.
Macabeia, antes julgada e zombada, agora intriga… Intriga e reflete.
Me vi com 18 anos ao chegar na capital do Brasil, equilaventemente tão cheia de sonhos e tão despreparada para vivê-los. Despreparada para os desafios e malícia da vida.
Macabeia com seu desencaixe, com sua falta de jeito, Macabeia que aprendeu a viver desprezada… Não encontra a redenção… Ela só passa… Invisível…
Macabeia quando notada é exemplo… “Cuidado para não acabar como Macabeia”...
Mas Macabeia existe.
Macabeia… Para mim você tem cheiro… Consigo eu sendo real, conseguir sentir o cheiro teu de alguém que é irreal?
Macabeia, você tem cheiro de cheiro verde, de suor forte após o trabalho braçal, tua roupa tem cheiro de sabão de soda cáustica, tem cheiro de terra, de esmalte da risqué, tem cheiro de creme skala, coca-cola, de reparador de pontas de silicone e nada disso para mim é ruim…
Na verdade, sinto afeto.
Quero te colocar num potinho...
Mesmo não se sentindo muita coisa, Macabeia sonha em ser artista, sonha em encontrar o amor…
Ahh.. Macabeia… Doce Macabeia,
Queria eu poder te apresentar um amor tão irresistível…
Queria eu poder fazer esse convite a ti…
Queria te apresentar alguém que apesar de não passar despercebido, assim como você, não tinha beleza ou boa aparência… Alguém que era comum… Esse alguém foi desprezado não por estranhos, mas por aqueles que o seguiam e o admiravam… Esse alguém foi cuspido, maltratado e sofreu… Macabeia… Como ele sofreu.
Mas sofreu por Amor… Macabeia, ele tinha tudo, era Deus, mas escolheu se tornar gente… Isso mesmo, gente como a gente... Apesar de nós não sermos muita gente.
Por amor, amor por nós, pois para ficarmos com Ele durante toda eternidade, isso tinha que acontecer… Ele tinha que padecer, sofrer pelos nossos erros e ofensas a Ele (Ele é Deus)...
E assim, uma vez Macabeia que você se arrepende e o aceita já era…
O Amor te encontra.
(respiração profunda)

P.S.:
Vou enumerar aqui algumas cenas que me tocaram…
As cenas que a pobi pede desculpa por tudo. A todo tempo é como se ela pedisse desculpa por existir.
A cena em que ela come uma coxa de frango no penico, é forte. É como se a desumanizasse. Algo quase que animalesco.
O diálogo dela com Olímpico que ela fala que "não acho que sou muita gente”
Quando ela sente tanta dor, mas por não saber diferenciar a dor física da emocional pede aspirina.
A cena final com a vidente, que explica tudo aos olhos desatentos.
Quero ler o livro.
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