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Pílula: O "insentimento"

  • Foto do escritor: púrpura
    púrpura
  • 8 de out. de 2025
  • 1 min de leitura

É esquisito, até para mim, sentir isso que estou sentindo, é como se um imenso buraco ocupasse o local do meu coração, como se nada fizesse sentido, como se viver se resumisse a existir fazendo com que os dias passem com indiferença, assombrando minha capacidade de ser feliz e perceber, nem que seja por um segundo, o prazer em respirar, de me entregar a melodia que escuto, de devolver na mesma intensidade um abraço ou um simples sorriso. Me transformando em um parasita, mendigando carinho, mendigando amor, porém sem senti-los. Chego a me perguntar nos dias que a razão me visita se sou a única, se este “insentimento” foi um presente concebido apenas, somente a mim.

Não digo que minha vida não tenha acontecimentos felizes, prazerosos momentos que me faça seguir em frente, pessoas que me façam esquecer, momentaneamente, esse sentimento. Sim, eles existem, e por isso me agarro a eles, me prendendo ao lado bom da vida para fazer com que esse sentimento se torne uma simples lembrança de algo que não quero sentir novamente.


Texto escrito em 04/12/2017.


P.S. "Escrevi essa pílula em 2017 — foi um período conturbado. Hoje percebo que, embora esse “insentimento” ainda apareça de vez em quando, já não me sinto perdida. Tenho a CRISTO. Me apego a Ele, a viver com Ele, à Sua Palavra e ao Seu Santo Espírito, que habita em mim. Diferente do passado, quando me agarrava às lembranças, ao acaso, ao vapor e aos momentos outrora vividos, agora me apego ao real, ao eterno. E, por mais que, na caminhada, os momentos de “insentimento” existam, eles não são maiores que o meu Salvador."


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